DIAMANTE EM FORMAÇÃO (1902-1932)

Capitão-médico


Juscelino Kubitschek, capitão-médico da Força Pública mineira Difícil imaginar o que teria sido a vida de Juscelino Kubitschek se ele não tivesse ingressado, em março de 1931, na Força Pública de Minas Gerais, para trabalhar no Hospital Militar.

Era capitão-médico quando, a 9 de julho de 1932, eclodiu em São Paulo a Revolução Constitucionalista. Estava casado havia seis meses – desde o dia 30 de dezembro de 1931 – com Sarah Lemos. De uma hora para outra, foi enviado para o front, na região do túnel da Mantiqueira, divisa com São Paulo, que os revoltosos paulistas haviam atravessado.

Frente de batalha da Revolução de 32: Juscelino Kubitschek, Bayard Lucas de Lima, Pinto de Moura e Flávio Neves Ficou baseado em Passa Quatro, como responsável por um hospital. Mas acabou tendo um papel muito mais importante no conflito, conta o biógrafo Francisco de Assis Barbosa: JK "seria de fato o cirurgião da campanha, infatigável no seu posto, indo e vindo do front para o hospital de sangue, sem conhecer cansaço".

O que mudou sua vida, no entanto, não foi o desempenho como médico, mas as relações que fez em Passa Quatro. Conheceu, entre outros, o então coronel Eurico Dutra, futuro ministro da Guerra e presidente da República.

Mais decisiva ainda seria a amizade com o obscuro prefeito de Pará de Minas, Benedito Valadares, chefe de polícia na região conflagrada. Nomeado por Getúlio Vargas interventor em Minas, no ano seguinte, Benedito arrastaria para um destino político o capitão-médico que conhecera em Passa Quatro.

Nas palavras de Francisco de Assis Barbosa, "Juscelino receberia, com a campanha de 1932, além do batismo de fogo, o batismo da política".