DIAMANTE EM FORMAÇÃO (1902-1932)

Em busca de novo horizonte


Com quinze anos incompletos o garoto Juscelino havia concluído o curso de humanidades no seminário de Diamantina, mas não queria parar nesse ponto. Sonhava com uma carreira de médico que a todos parecia impossível. A mãe não tinha dinheiro para que ele fosse prestar exames complementares numa cidade grande, abrindo caminho rumo à universidade. Para Júlia Kubitschek, já estaria bom se ele se tornasse, como o falecido pai, fiscal de rendas. Mas Juscelino sentia sufocar-se naquela Diamantina sem perspectivas.

O isolamento em que vivia era quebrado apenas pelos jornais de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro, que começaram a chegar àquele fim de mundo quando a estrada de ferro foi inaugurada, em 1914. Quem lhe emprestava essas publicações, além de livros – pois Juscelino herdara do avô Augusto Elias a mania de leitura – era o médico Álvaro Mata Machado. Foi ele quem, mais adiante, indicou ao rapaz o trilho até o seu primeiro emprego, ao lhe contar que o Departamento dos Correios tinha aberto, em Belo Horizonte, um concurso para o posto de telegrafista.