Depois
de curto período no hotel Figueiredo, instalamo-nos no solar
Boa Vista, casa de minha infância, então semi-abandonada pela
família. O impacto desse reencontro eu registrei no poema
"A
Boa Vista". Ao lado de Eugênia, eu sentia minha carreira
se fortalecer. Nesse período, esbocei A cachoeira de Paulo
Afonso, que só seria publicada cinco anos após meu falecimento.
Um grande sucesso foi a declamação de "Quem
dá aos pobres, empresta a Deus", numa sessão beneficente
no mês de outubro, em prol das famílias dos mortos na Guerra
do Paraguai. Mas a verdadeira consagração ocorreu no dia 7
de setembro, quando finalmente subiu à cena, no Teatro
São João,
o meu Gonzaga, tendo à frente do elenco Eugênia e,
no papel de Tomás Antônio Gonzaga, o esquecido Eliziário Pinto,
ator e poeta, cujo belo "Festim de Baltazar" permaneceu como
uma espécie de filho único do autor, reproduzido em muitas
antologias do começo do século XX. Pobre Eliziário, de tanto
brilho naquele 7 de setembro, e hoje sem qualquer migalha
no festim da literatura...
Imaginam
um autor delirantemente aplaudido após a estréia? Multipliquem
por mil, e ainda será pouco. Fui chamado à cena depois de
cada ato, sob estrondosa ovação. Não satisfeita, a multidão
carregou-me em triunfo, sobre os ombros, até minha casa. Era
a glória, mas baiana. Quem sabe eu não seria bafejado pela
consagração nacional?
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