José de AlencarDecidi prosseguir os estudos de Direito, interrompidos na temporada em Salvador, na cidade de São Paulo. Incluí no roteiro de viagem uma visita ao Rio de Janeiro, onde tencionava conhecer o maior escritor brasileiro do momento, o cearense José de Alencar. Em fevereiro de 1868 já estávamos no Rio, Eugênia e eu. Munido de uma carta de Matrícula na Faculdade de Direito de São Pauloapresentação, visitei Alencar, então residindo na Tijuca, sabendo que tocava numa corda sensível do mestre: li para ele o Gonzaga. Meu anfitrião era um obcecado pela construção de um teatro brasileiro, mesmo tendo fracassado na tentativa. Pregava um teatro baseado em nossa História - exatamente o que eu fazia, ao invocar em meu drama a Inconfidência Mineira. A receptividade foi muito boa, a ponto de Alencar encaminhar-me a outro talento que se firmava na literatura fluminense: o jovem Machado de Assis, a quem visitei no domingo de carnaval. O resultado desses encontros se traduziu nas crônicas publicadas no Correio Mercantil, a de José em 22 de fevereiro e a de Machado em 1º. de março, ambas muito favoráveis ao Gonzaga. Isso contribuiu para que, em São Paulo, minha acolhida Joaquim Nabucosuperasse toda expectativa. Lá cheguei em fins de março. Joaquim Nabuco, bem mais tarde, diria que eu era "o eleito da mocidade" e que representava "a dignidade e a independência das letras". Outro colega chamou-me "mais um semideus do que um poeta". Lúcio de Mendonça, que seria o fundador da Academia Brasileira de Letras, escreveu que quando eu me exibia à multidão Machado de Assis "era grande e belo como um deus de Homero". Creio que há algum exagero nisso tudo, mas, para corresponder a tanto carinho, ofereci à Paulicéia o melhor de que dispunha: meus versos. Em abril, compus a "Tragédia no mar", que todos insistem em conhecer pelo subtítulo, "O navio negreiro"; eu recitaria esses versos no dia 7 de setembro, no Grêmio Literário da Faculdade de Direito de São Paulo. Em junho declamei, no Teatro São José, a "Ode ao Dous de Julho", meu mais conhecido poema sobre a data, e, no mesmo mês, escrevi "Vozes d'África". Para culminar, Gonzaga foi representado com o maior ator da época, Joaquim Augusto.

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