Morri no dia 6 de julho de 1871, às três e
meia da tarde, na cidade de Salvador. Nasci no dia 14 de março
de 1847, na fazenda das Cabaceiras, perto de Curralinho,
cidade que hoje tem o meu nome. Não estranhem o fato de eu
começar minhas memórias pela data da morte. Diante da eternidade,
não há muita diferença entre o que é princípio e o que é fim:
tudo se mistura, se apaga e se acaba na roda-viva dos séculos.
Meus pais foram o doutor Antônio José Alves
e dona Clélia Castro, filha de José Antônio
da Silva Castro, que foi um dos heróis da Independência da
Bahia, conquistada em 2 de julho de 1823. Em muitas províncias
os portugueses não acataram a proclamação do Sete de Setembro,
e queriam nos manter atados à Coroa lusitana. Na Bahia, meu
avô materno ajudou a derrotar o general Madeira, comandante
das tropas inimigas, e com isso confirmar a Independência
do Brasil. Papai foi um médico famoso. Estudou na Europa,
de onde enviava cartas bem românticas à minha futura mãe.
Casaram-se, e logo encomendaram a prole: José Antônio
foi o primeiro; eu, Antônio, o segundo; Guilherme,
o terceiro; sem esquecer João, de morte prematura. Essa seqüência
masculina só foi quebrada em 1852, com o nascimento de Elisa.
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