A
vida na fazenda começava a ficar limitada demais para a ambição
de meu pai. No começo de 1854, fomos morar em Salvador, na
rua do Rosário nº 1. Esta casa, que marcaria de
forma definitiva a minha vida, era cheia de lendas e mistérios:
uma linda moça, Júlia Feital, nela foi assassinada pelo noivo,
que, louco de ciúmes, a teria fulminado com uma bala de ouro.
Nesta casa nasceram minha querida irmã Adelaide e a caçula
Amélia, em 1855, empatando em 3 x 3 o jogo entre homens e
mulheres.
Além
de praticar a ciência, papai era dado à pintura. Em 1856,
foi um dos fundadores da Sociedade das Belas-Artes da Bahia,
mesmo ano em que iniciei os estudos no Colégio Sebrão. Mas
logo me transferi para o Ginásio
Baiano, do doutor Abílio César Borges, futuro barão
de Macaúbas. Para a época - 1858 - as idéias do doutor eram
o máximo: estudávamos várias matérias ao mesmo tempo, não
recebíamos castigos físicos, éramos incentivados a participar
de torneios literários. Para mim, que já trazia o amor à
arte cultivado em família, foi uma espécie de preliminar (desculpem
a imodéstia) para a glória futura. Celebrávamos principalmente
as datas cívicas, e esse amor prematuro aos feitos brasileiros
deixou sementes que iriam germinar na minha poesia de adulto.
Eu já gostava de falar em público, de recitar poemas que,
cuidadosamente, anotava num caderninho. Mais tarde, tive a
sabedoria de dar fim a essa poesia, impedindo que os primeiros
textos de Cecéu (como eu era conhecido) fossem publicados
em livro.
Desse período, a péssima notícia foi a morte
de mamãe, em 1859, aos 33 anos. Desesperado, meu irmão tentou
o suicídio. Não gosto de falar disso. Diferente de outros
poetas, me incomodaria retratar minha mãe nos poemas. E o
mano teve uma reação de louco. Loucura e morte eram os temas
da moda: eu sofri os dois na carne.
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